Três Casas para a Humanidade: Casa de Água

Rui Soares Costa, Pedro Campos Costa e João Galante.

15/05/2021
→ 28/08/2021

O projeto CASA DE ÁGUA é o primeiro de uma trilogia de instalações (CASA DE ÁGUA, CASA DE TEMPO e CASA DE AR) que problematiza elementos que irão condicionar a Humanidade nos próximos séculos, da construção das cidades e lugares que habitamos à forma como vivemos enquanto sociedade.

A CASA DA ÁGUA parte do trabalho do artista visual Rui Soares Costa e do seu projeto RISING que aborda as consequências das alterações climáticas, mais especificamente a subida do nível médio das águas do mar. Neste trabalho sobre a representação do tempo em peças que procuram capturar a forma como este conceito abstrato pode ser transposto para objetos visuais, peças metálicas são colocadas nas águas do rio Tejo a alturas específicas e pré-determinadas em relação ao Zero Hidrográfico, por um tempo pré-especificado. Cada peça estará assim (1) numa localização especificada por coordenadas de latitude e longitude, a (2) uma altura especificada relativamente ao Zero Hidrográfico, por (3) um período de tempo (número de dias) pré-determinado. Pelo efeito das marés, estas peças suspensas a partir de diversas posições num cais ribeirinho, estarão ora totalmente submersas, ora parcialmente submersas, ora totalmente fora de água. Este efeito da subida e descida da água do rio por efeito das marés irá oxidar as peças de forma diferencial, desenhando em cada uma, em função da sua altura em relação ao zero hidrográfico, o acumular do tempo pelo movimento das marés no metal. Esta equação que computa um conjunto de parâmetros variáveis (altura do zero hidrográfico, dias que a peça está exposta à variação das marés, geolocalização) visa poder ser replicada em 50, 100 ou 200 anos. Peças com igual dimensão e formato, dispostas à mesma altura em relação ao zero hidrográfico, na mesma geolocalização, expostas à erosão da água pelo mesmo número de dias, irão dar origem a peças radicalmente diferentes uma vez que daqui a 50, 100 ou 200 anos, o nível médio das águas do mar será diferente – mais elevado – logo as peças embora à mesma altura absoluta em relação ao zero hidrográfico, estarão globalmente mais tempo submersas do que as realizadas nos dias de hoje, em 2021.

A CASA DE ÁGUA  é um projeto imersivo em colaboração entre o artista visual Rui Soares Costa, o arquitecto Pedro Campos Costa e o artista multimédia, performer e coreógrafo João Galante.

Bio

Rui Soares Costa (1981) estudou Pintura no Ar.Co enquanto se formou e fez investigação em Psicologia Social entre Portugal e os EUA. Interessado em processos cognitivos como a memória de pessoas ou a importância da ordem temporal na construção de significado sobre os outros, trabalha desde 2013 exclusivamente como artista plástico. A sua prática e investigação focam-se na perceção do tempo, mediante a sua suspensão, distensão e compressão. Trabalha intimamente com música contemporânea, sendo os seus projetos acompanhados por bandas sonoras originais. Tem desenvolvido uma colaboração especialmente próxima com o músico e artista multimédia André Gonçalves. Desde 2016 que promove no seu atelier no Olho de Boi o programa de residências artísticas Bull’s Eye – Artist in Residence Program, por onde já passaram mais de três dezenas de artistas, essencialmente internacionais. O seu trabalho encontra-se representado em coleções privadas na Alemanha, Espanha, Holanda, Índia, Portugal, Suíça, bem como na Coleção Berado (PT), José Costa Rodrigues (PT) e Art Fairs Collection (ES). É representado pela Galeria das Salgadeiras em Lisboa. Vive e trabalha entre Lisboa e o Olho de Boi.

Pedro Campos Costa (1972) é arquiteto, professor, editor e autor multidisciplinar. Funda o atelier Campos Costa Arquitetos em 2007. Foi Curador do Pavilhão Português na 14ª Exposição Internacional de Arquitetura_La Biennale di Venezia, com o projeto “Homeland. News from Portugal” (2014).

João Galante (1968) artista: artes visuais /performance /coreógrafo /encenador /bailarino /actor /músico. Director artístico da Associação Cultural casaBranca e do Festival Verão Azul. Co-programador do Festival Verão Azul e ex-co-programador do festival de música electrónica Electrolegos (Lagos). Desde 2002 trabalha em parceria com Ana Borralho  na produção de trabalhos de cariz transdisciplinar nos campos da performance-arte, dança, teatro, instalação, fotografia, som e vídeo. Temas frequentes no trabalho da dupla: corpo/mente, dentro/fora, eu/outros, privado/público, social/político, género/ambiguidade sexual, imaginário erótico, auto-retrato. Desde 2004 os seus trabalhos são apresentados em Festivais Internacionais em Portugal, França, Espanha, Suíça, Escócia, Reino Unido, Brasil, Alemanha, Inglaterra, Áustria, Itália, República Checa, Eslováquia, Eslovénia, Finlândia, Bélgica, Islândia, Hungria, Suécia, Estónia, Polónia e Grécia. Das peças criadas em conjunto destacam: MISTERMISSMISSMISTER, SEXYMF, NO BODY NEVER MIND, WORLD OF INTERIORS, UNTITLED STILL LIFE, ATLAS, LINHA DO HORIZONTE, ART PISS, PURGATÓRIO, AQUI ESTAMOS NÓS, SÓ HÁ UMA VIDA…, VÃO MORRER LONGE, GATILHO DA FELICIDADE, ESTELAS CADENTES (METAL E MELANCOLIA) ROMANCE FAMILIAR OU A REALIDADE AUMENTADA .